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Terça-feira, Abril 24, 2007PSPassou o aniversário do blog, mas eu tava em outra esfera... ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
algumas notícasO clima de despedida está batendo: meu chefinho que sentou do outro lado do meu computador desdo dia que comecei a trabalhar em 2005 está indo embora para outra empresa de internet. Amanhã vamos fazer um jantar de despedida só entre os 4 da nossa equipe. Vou acabar herdando mais do que o tal cliente a 50%. O sistema que ele inventou, eu serei a única que entende um pouco mais como funciona. O que eu mais queria desdo ano passado é gerenciar este projeto: criar uma versão própria para instalação, organizar updates em todos os clientes, distribuir os módulos entre os demias programadores... Sozinha vai ser uma barra que eu não sei se vou aguentar. Quem viver (ou melhor, quem ler este bloguinho) verá. Pra despedida do chefinho, organizei uma vaquinha para comprar presentes de despedida. Como ele está grávido, o óbvio foi procurar coisas para o bebê. Comprei uns bichinhos de pelúcia, um vale-presente de 50 euros da loja prenatal (assim eles escolhem o que estiverem precisando) e livros. Um livro é sobre o que o bebê está pensando. O outro ensina tudo o que um pai deve saber fazer: pipa, chapeu de jornal, avião de papel e todo tipo de brinquedo. Achei o máximo! Mas como não pode ser tudo para o bebê, comprei um presente pra gulodice dele: um livro de receitas de chocolate e uns bloquinhos de chocolate pra mergulhar no leite fervido (o chocolate quente mais gostoso que eu já tomei!!). Hoje quando passei no Finalmente Brasil trouxe também bombons "Serenata de Amor" pra ele (eu prefiro "Sonho de valsa", mas não tinha). Minha avó continua viva, contra todas as expectativas. Depois de outras análises, o oncologista confirmou o primeiro diagnóstico: o câncer não é no estomago, mas no pâncreas. Quase do tamanho de uma bola de tênis. Eles conseguiram opera-la para abrir uma passagem do estômago para o duodeno, mas ela levou vários dias para voltar a comer. Primeiro algumas colheradas de sopa. Hoje um prato de sopa. Isso para alguém que não come há quase um mês! Os primeiros dias de UTI foram os mais difícies: ela delirava, falava besteira, arrancava os tubos. Deu tanto trabalho que precisou ser amarrada na cama. Ela que é literalmente uma santa criatura e nunca reclama de nada, estava super birrenta. Só me falta ela soltar as frangas e começar a falar palavrão :-) Depois de ser adiada 4 vezes, parece que ela vai ter alta da UTI hoje. Mas ainda não ouvi nada da mina mãe. Com o calor quase tropical que tem feito na Holanda, estou me esbaldando. Tenho trabalhado pelo menos 2 vezes por semana em casa e aproveito para passar pelo menos uma hora no sol no jardim. Estou perdendo a cor de múmia-doente do tenebroso inverno. Fico até mais bonitinha :). Nos últimos 2 finais de semana alugamos um barquinho e saimos para velejar aqui no lago perto de casa (Kaagplaas). Tem tido bem pouco vento (força 3) e eu tenho conseguido pilotar, com algumas correções do Pim (ele quer sempre que eu faça perfeito :-)) Sábado também assistimos o Bloemcorso, um desfile de carros alegóricos enfeitados com flores naturais que dura o dia todo: sai às 10:30 de Noordwijk, passa pelo meio dia aqui em Voorhout e vai seguindo pelas dorpjes (Sassenheim, Lisse, Hillegom) até chegar às 9 da noite em Haarlem. É bonito, mas é tudo muito igual. Entre os carros desfilam também bandas de fanfarra com as meninas rodando bastão à frente. Animado é que não é... Disse no rádio que mais ou menos 1 milhão de pessoas assistiu ao desfile. Eu vi um e fiquei satisfeita: coisa que só voltou a fazer se tiver turistas visitando... Em tempo: as dores nas costas deram uma aliviada. O que eu realmente não posso mais fazer é ficar direto atrás do computador. Toda hora tenho que me forçar uma pausa de 5 minutos e realmente levantar e andar. No dia que não me mexo, chego no final toda travada. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Quarta-feira, Abril 11, 2007dor nas costasEstou há quase 2 meses com dor nas costas. Muita dor entre os ombros e no pescoço. Há 4 semanas comecei a fisioterapia. Tava melhorando um pouco, mas esta semana travou tudo de novo. O fisioterapeuta marcou sessões extras, me insistiu pra comprar um travesseiro melhor e disse que ia passar no meu escritorio (a clinica é no andar de baixo) pra dar uma olhada na minha cadeira. Mas o negócio é stress. Trabalho atrás dum computador há 15 anos. Sempre tive problemas nas juntas que estalam a toa, tenho um joelho bichado e as costas que nunca foram das mais fortes. No trabalho as coisas tem andado complicadas. Quando eu decidir o que faço da minha carreira, explico mais por aqui. Posso dizer assim, comigo tá tudo bem, ninguém tem o que reclamar. Faço tudo da melhor maneira possível e depois de ter levado um puxão de orelha por não ser rápida o suficiente, aprendi a ser a mais eficiente na empresa: o único projeto que fechou dentro dos prazos com tudo entregue, funcionando e entrando completo no ar no dia certo foi o meu! Lógico que ainda tinha bug. Eu também erro besteira, esqueço as coisas ou não entendo as especificações do cliente. Mas o cliente estava satisfeitissimo: até flores eu ganhei no dia da inauguração oficial. Pra piorar o que o clima que já não estava bom, meu chefinho está trocando de emprego. Vou sentir uma falta danada dele. Tanto pra trabalhar como também pelo amigo que ele se tornou: são quase 2 anos que a gente trabalha frente a frente. Vai ser um vazio enorme quando não tiver meu mentor do outro lado da mesa. Das tarefas dele, acabei herdando um cliente. É o nosso maior cliente, mas vou ser alocada só 50% do meu tempo pra dedicar aos vários (e complexos) sites deles. Afinal, tenho outros vários clientes que continuam recebendo meu suporte. Fora do trabalho tem várias coisas me inquietando. Algumas já vem de longo tempo e não tem solução em vista, como o problema de morar longe da família. Como disse a minha sogra: sou uma alma dividida. Detesto esta sensação, mas sou aquela prima/tia que mora muito longe e ocasionalmente passa de férias rapidinho pra visitar. Pra uma pessoa tão ligada à família e aos amigos como eu, mesmo 7 anos depois, continua sendo uma barra enorme. Meu irmão que mora em Den Haag, anda super complicado com a namorada. Ela nunca foi completamente boa da cabeça, mas entrou numa depressão braba em setembro: largou emprego fixo, amigos, se desligou do mundo e se trancou no quarto. Ela tem dado muita dor-de-cabeça e apurrinhação a ele, mas ele não consegue sair de casa e deixa-la sem um puto (ela nem pediu o seguro desemprego e mal e mal está seguindo um tratamento pela Parnasia). Ela tá novamente procurando um emprego. Mas fica continua agonia dele e eu sempre acabo me envolvendo emocionalmente. Sempre fui uma mãezona pros meus irmãos e tenho essa agonia de mãe de querer que eles não sofram (tanto) e que se resolvam na vida. Meu irmão que mora no Rio é outro enrolado. Ele quer vir pra Holanda, pois não aguenta ficar sozinho. Mas ele tem que tirar ao menos um diploma (faltam benditos 6 meses) para poder contar com algo mais que a própria experiência de trabalho. Já basta a barreira da língua. Ele precisa também aprender a se virar, a cuidar da própria vida. Com 30 anos não dá mais pra ficar contando com casa-comida-roupa-lavada e esperar que tudo seja feito. Nós não fomos mimados deste jeito, não sei da onde ele tirou isso. Semana passada, minha avó de 83 anos passou muito mal. Depois de vomitar dias seguidos e não conseguir colocar mais nada no estômago, foi internada. Ela já sobreviveu a 2 cancers: um no seio há 30 anos, e um no colo do útero, há 5 anos. Segundo os médicos não há relações entre estes. No início do ano, ela passou muito mal com problemas no pulmão e emagreceu muito. Não detectaram nada de mais importante e ela melhorou. Ela fez, inclusive uma tomografia na época. O cancer que ela tem agora no estomago é uma metastase do cancer do colo do útero. E muito maligno pois tomou o estômago todo e fechou o caminho para o duodeno em muito pouco tempo.
Minha avó (paterna) e meu avô durante o nosso casamento no Rio, em fevereiro de 2005. Ela agora tem um cateter para manter o estomago vazio (o que aliviou as dores), está sendo alimentada pela veia e por tubos que atravessam direto pelo tubo digestivo. Minha mãe conta que ela está cadavérica de tão magra. Que parece judeu de campo de concentração. Na primeira noite de plantão no hospital, minha mãe não conseguia dormir porque ficava controlando se ela ainda estava respirando. Tem dois anos que não a vejo a não ser em festas de família pela webcam (foi assim que mostrei minha casa e meu jardim para ela). Consegui ontem ligar para minha mãe quando ela ainda estava no hospital e falar com a minha velhinha pelo celular. Consegui falar sem chorar e ouvir um pouquinho da sua voz que está super rouca. Morar longe, nessas ocasiões, é perverso. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
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